
Se existe alguma coisa que me dói ao tratar de tal assunto, é o tempo em que fui medíocre. Ou melhor, esse não é um bom adjetivo. Pseudo-intelectual se encaixa melhor. Quem sabe até metida a besta sem moral alguma.
Já me peguei mais de uma vez pensando. “Bá, eu poderia ter escutado musicas melhores na minha época de adolescente”, ou então “nossa, o que eu estava fazendo que não li determinados clássicos”. Eu acatava o que o meio que eu vivia me dizia. As posições gerais. E argumentava minha posição baseada em discursos prontos e já utilizados.
Minha adolescência foi inerte e alienada ao modismo. Eu achava que tinha lido demais, porém obras primas da literatura não passaram por mim. Pensava que música era algo momentâneo para te descrever e usava de bandas da época para isso. Esquecia que música é mais que som: é arte.
Hoje corro atrás do prejuízo cultural que cavei na minha vida. Procuro ler não só os clássicos, mas também os novos. Tento ver dois lados para saber (e poder) criticar. Busco informação e estou aprendendo a selecionar as que me servem ou não. Aprendi que pra falar de música é preciso, entre outras coisas, saber que rock não é emo e também o que significou a tropicália.
Me arrependo da época em que pensei que história era uma disciplina escolar que contava apenas coisas interessantes. Hoje consigo ver sentido em toda contextualização dada nas aulas o que me serve de luz ao fim do túnel.
Ainda estou longe de uma perfeição (como qualquer um), mas hoje pelo menos sei que modismo não é o mais importante. Sei que ter estilo não é seguir aos outros, mas sim ter suas próprias convicções e baseado nisso construir a bagagem da tua vida.
Aprendi que caráter não está só relacionado com a forma a qual se vive, mas com a maneira que aproveitamos as coisas indiferentemente da escala de tamanho. Por fim fico feliz em concluir que é preciso renovar certos valores, sem, no entanto alterar princípios. E é isso que consola o meu arrependimento.
